Conheça Mário Assef, que faz do canto um instrumento de valorização do servidor

22/11/2017 10:21:00


 
 
Um baiano encantado pelo Rio de Janeiro. Um engenheiro químico que diz ter se tornado servidor por causa do coral. Para ele, fazer com as pessoas tenham contato com uma formação que não tiveram antes não tem preço. Reger é descobrir o potencial humano de cada um, "é estar diante de uma verdadeira fábrica de aquisição de capital cultural". Assim, Mário Assef define seu trabalho à frente do Coral Atrás da Nota, formado por servidores públicos, ativos e inativos. Há 23 anos, desde que o grupo foi criado, ele recebe a todos de braços abertos e faz com que o melhor de cada um desabroche. Os ensaios do grupo simbolizam a diversidade e a valorização de indivíduos de diversos níveis culturais que, através da música, tornam-se uma só voz.
 
 
 
 
O que representa pra você estar à frente do Coral Atrás da Nota?
 
Estar à frente do coral, antes de qualquer coisa é trabalhar com o ser humano que está atrás de cada servidor, com suas potencialidades. A voz é sentimento, expressão. E isso deve ser trabalhado de uma forma conjunta, tirando essa pessoa do individualismo e botar todo mundo pra trabalhar em equipe. Essa é a principal função.
 
 
 
O Rio de Janeiro vive um momento complexo, sob os mais variados aspectos. De que maneira a música resgata a autoestima e a esperança daqueles que vivem essa realidade?
 
Acho que, nesses momentos, a arte é fundamental. Pois trabalha em uma esfera apartidária, de ética e estética. Não falamos de ideologia ou especificidades, mas trabalhamos o sentimento em uma construção sempre otimista. O coro tem a funcionalidade de levar energia boa para as pessoas e, principalmente, promover a união das diferenças. Estamos falando de um lugar de diversidade, seja cultural, hierárquica ou de poder aquisitivo. Essa construção é algo que precisamos muito nos dias de hoje.
 
 
 
Que momento destacaria como o mais marcante já vivido pelo grupo?
 
Vivemos momentos memoráveis. Difícil selecionar apenas um deles. Primeiro, observa-se muito a evolução das pessoas dentro da atividade. Depois, o que isso significa para cada uma delas. Quem acompanha de perto sente essas vibrações. Mas destaco, especialmente, as reações de diversos públicos. Quando chegamos a uma praça para cantar, a reação das pessoas é sempre maravilhosa. Da mesma forma que acontece quando nos apresentamos em outros países e temos uma recepção fabulosa. Quem escuta o coral cantando, com certeza partilha com a gente as nossas energias.
 
 
 
Se você não fosse maestro desse grupo, que outra atividade seguiria?
 
Iniciei na música por causa da atividade coral e me desenvolvi nisso. Nesse processo de formação, um instrumento com o qual mais me identifiquei foi o violoncelo. Gostaria muito de me dedicar a isso. Piano é um outro instrumento de formação. E minha própria voz, minha atividade como cantor. Essa é uma atividade que adoro e não tenho oportunidade de exercer. Mas gosto muito de botar as pessoas pra cantar. Não chega perto, não, que eu ponho pra cantar!
 
 
 
O que costuma fazer nas horas de descanso?
 
Curto muito ter contato com a natureza. Moro em Santa Teresa, na floresta. Costumo ir muito para as montanhas no sul de Minas. É muito bom ver o que os outros estão produzindo. Assistir a um bom cinema, um bom teatro e uma boa apresentação musical. É uma coisa que ajuda você a se refazer todos os dias. O que não abro mão, de jeito nenhum, são os contatos pessoais. Acredito, que sozinho no mundo, a gente não é ninguém.
 
 
 
Você é nascido na Bahia, seus pais são do Espírito Santo e você vive no Rio desde os 15 anos de idade. O que o carioca tem de mais encantador?
 
Desde que morava na Bahia, escutava da fama do carioca. Ele tem um sorriso fabuloso, que essas confusões todas no Rio não conseguiram subtrair. O que os cariocas precisam é permanecer nesse estado e ser responsável pelas coisas que ele cativa. Os cariocas são seres especiais, com uma alegria proporcionada pela própria cidade, que nada consegue destruir. Nada define essa cidade melhor do que "Samba do Avião", de Tom Jobim. Várias canções foram feitas sobre o Rio, mas nenhuma resgata a alegria e simpatia do carioca como essa música.
 
 
 
Convide o servidor a conhecer e participar do Coral Atrás da Nota.
 
As pessoas que ainda não estão no coral estão perdendo tempo. De se conhecer melhor, de partilhar melhor suas ideias e talentos musicais. O coro não exige grande talento de ninguém. Cada um entra com a voz que tem. Venha cuidar da sua voz e dos seus aspectos psicológicos. Venha se entregar a uma linguagem artística. Venha aprender a ser criativo. Cantar é sinônimo de saúde. Vem cantar!
 
 
 
  
Gostou? Pois saiba que o Coral Atrás da Nota está sempre à procura de novas vozes. Para participar, basta aparecer nos dias de ensaio, que acontecem às terças e quintas-feiras, das 16h às 18h, no Clube do Servidor Municipal (Rua Ulysses Guimarães, s/n, Cidade Nova. A atividade é gratuita.