Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro

Heróis do Tabuleiro: matéria eletiva ajuda no desenvolvimento pedagógico dos alunos

12/07/2017 10:39:00  » Autor: Fotos: Hélio Melo


É comum que aulas de xadrez sejam direcionadas para os melhores alunos, com o objetivo de exercitar a capacidade de tornarem-se vencedores. No entanto, sob o olhar da professora de Educação Física, Fátima Bispo, o rumo deste esporte ganhou outra vertente: as aulas deveriam ser dadas para os estudantes com defasagem entre idade e a série em que estudam. Foi assim que tudo começou há 12 anos na Escola Municipal Frederico Eyer, na Cidade de Deus, e hoje beneficia cerca de seis mil alunos em 20 escolas na Zona Oeste. A Secretaria Municipal de Educação pretende expandir ainda mais o projeto Heróis do Tabuleiro para atender toda a rede de ensino.

 

 

- Quero espalhar de forma gradativa para as escolas. O xadrez é especial, permite a concentração, raciocínio lógico, respeito ao próximo. Com certeza é uma ferramenta pedagógica muito bonita e eficaz - disse o secretário municipal de Educação, César Benjamin, que é entusiasta do esporte.

 

 

O xadrez, como todo jogo, tem um vencedor. Porém, nos torneios realizados entre as escolas participantes do projeto Heróis do Tabuleiro todos os alunos são premiados. Foi durante um desses torneios, realizado na quadra do Ciep Rubens Paiva, em Curicica, que o secretário municipal de Educação conheceu o projeto. Os alunos foram distribuídos em duplas por grau de conhecimento do jogo e por escolas diferentes. Ao final de cada partida eles eram novamente redistribuídos de modo a não repetirem o adversário.

 

 

 

A proposta da docente Fátima Bispo, recém-chegada, na época, à Escola Municipal Frederico Eyer, foi ensinar xadrez durante as suas aulas de Educação Física para alunos que apresentassem indicativos de dificuldade ou transtornos de aprendizagem.  A escolha por esse grupo de estudantes surgiu após um estudo feito pela própria professora que mostrava que o xadrez ajudava na aquisição e no desenvolvimento da leitura, da escrita e dos cálculos matemáticos, através da potencialização das funções executivas e de funções cognitivas como atenção, concentração, abstração, entre outras; e no desenvolvimento da capacidade de argumentação, de administração de conflitos e de se colocar no lugar do outro.

 

 

- As crianças com defasagem são mais agitadas. No início queriam as aulas de Educação Física tradicionais. Foi uma grande conquista atraí-los para o xadrez - relembrou a professora.

 

 

O sucesso do projeto, que tinha o nome "Xadrez Além Xeque" e acontecia de forma improvisada no chão do auditório, fez com que a escola, no ano seguinte, incluísse o xadrez como matéria eletiva. E, assim, todos os alunos da unidade, a partir do 3º ano, passaram a poder assistir às aulas.

 

 

Com o tempo professores de outras unidades começaram a se interessar pelo "Xadrez Além Xeque". Foi então, que, em 2010, a professora Fátima passou a capacitar outros docentes de Educação Física da 7ª Coordenadoria Regional de Educação, responsável pelas unidades da região da Cidade de Deus, Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Recreio e adjacências. No final do curso todos queriam um projeto na sua escola.

 

 

- Nos reunimos e fizemos um projeto coletivo. A 7ª CRE acolheu a proposta e todos os professores que participaram do curso passaram a ter nas suas unidades o Heróis do Tabuleiro, como passou a se chamar – contou Fátima.

 

 

O Heróis do Tabuleiro tem como público alvo turmas do 1º ao 9º ano, formada por alunos que apresentem indicativos de dificuldade ou transtornos de aprendizagem. No entanto, todos podem participar. A Escola Municipal Frederico Eyer tem uma sala específica para o xadrez. Nas outras 19 unidades, os professores colocam o material em um carrinho e vão percorrendo cada sala de aula.

 

 

O projeto tem uma metodologia própria. Quando o aluno chega à sala tem um roteiro a seguir. Em dez minutos a sala é preparada para iniciar o jogo. À princípio, ensina-se a função de cada peça e a primeira batalha é apenas entre os peões. Aos poucos outras peças são incluídas no jogo até que o aluno tenha domínio completo do tabuleiro.

 

 

- Muitas vezes o professor conhece o jogo, mas não sabe ensinar a jogar. Só pode atuar no projeto o professor que passa por nossa capacitação que é muito voltada para o olhar sobre a aprendizagem. O foco é com os alunos que tem dificuldade no aprendizado - contou Fátima.

 

 

Para a diretora Maria Emília Cunha, da Escola Frederico Eyer, o nome Heróis do Tabuleiro tem um significado de conquista muito maior que o "Xadrez Além Xeque":

 

 

- A Fátima mostra que o xadrez é muito mais do que ganhar um jogo.

 

 

Hoje, o projeto Heróis do Tabuleiro é oferecido nas seguintes unidades: CIEP Rubens Paiva; Frederico Eyer; Lincoln Bicalho Roque; Luiz Camillo; Madre Tereza Calcutá; Mano Décio da Viola; Marechal Thaumaturgo de Azevedo; Maria Florinda Paiva da Cruz; Pedro Américo; Professor Augusto Cony; Professor Carlos Delgado de Carvalho; Professor Jurandir Paes Leme; Professoranda Leila Barcelos de Carvalho; Silveira Sampaio; Virgílio Várzea; Joaquim Fontes. Pedro Aleixo; Pérola Byington; Almeida Garré; Maria Claro Machado.




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