Vigilância Sanitária do Rio conclui Operação Carnaval com 431 inspeções na área do Sambódromo e em blocos

Publicado em 01/03/2020 - 17:22 | Atualizado em 04/03/2020 - 20:29
Equipe da Vigilância no quarto dia de inspeção no Sambódromo. Foto: Divulgação

Com mais inspeções e atividades educativas na área do Sambódromo, a Subsecretaria de Vigilância Sanitária da Prefeitura do Rio concluiu na madrugada deste domingo, 1º de março, a Operação Carnaval. Nesta última noite de desfiles na Sapucaí, técnicos fizeram mais 44 vistorias (três delas em blocos), conferiram se pontos que apresentaram irregularidades durante o carnaval cumpriram as exigências sanitárias e reforçaram a distribuição de folhetos com dicas de prevenção de riscos à saúde. Foram mais dois mil informativos entregues no estande do Setor 7, onde a equipe da Secretaria Municipal de Saúde vacinou contra o sarampo mais 339 pessoas, com um total de 907 trabalhadores e foliões imunizados em quatro dias da ação na Passarela do Samba.

 

Iniciada em 8 de janeiro com inspeções prévias que até 20 de fevereiro percorreram diversos bairros da cidade, a Operação Carnaval foi realizada por equipes das coordenações de Fiscalização Sanitária, de Alimentos, de Engenharia e de Saúde; do Núcleo de Inspeção e Fiscalização dos Ambientes de Trabalho (Nifat); e do Laboratório Municipal de Saúde Pública (Lasp). Somando com os números registrados nos 44 dias com as ações dos seis dias no Sambódromo e blocos, a Vigilância Sanitária fez quase duas mil inspeções (1.985), aplicou 732 infrações (94 em blocos), coletou 181 amostras de alimentos para análise e emitiu 846 licenças para eventos de carnaval, 347 para o Sambódromo. Em relação a orientações, foram distribuídos cerca de 12 mil folhetos (mais de 5 mil nas prévias e quase 7 mil na Sapucaí) com dicas básicas que ajudam a prevenir riscos à saúde.

 

No estande funcionou também o plantão da Ouvidoria para atendimento de denúncias exclusivas do Sambódromo e um totem com os principais serviços digitais da Prefeitura, como o Taxi.Rio e o Sisbicho, de microchipagem e cadastro no Registro Geral de Animais, com orientações feitas por técnicos da Superintendência de Educação. Entre outras ações educativas, fiscais afixaram nos banheiros da Sapucaí quase 200 adesivos alertando para a importância da higienização das mãos.

 

Números da Sapucaí e blocos – Os seis dias (de 21 a 25 e 29 de fevereiro) da atuação de 73 técnicos na área do Sambódromo e em 84 blocos resultaram em 431 inspeções. No mesmo período do carnaval passado foram 504 vistorias, o equivalente a 15% a menos do total. No comparativo com os números registrados na Passarela do Samba, a redução foi de pouco mais de 20%: de 449 em 2019 para 347 este ano. Mas nos blocos o aumento foi de 53% nas vistorias: 55 no ano passado para 84 este ano. As 431 inspeções deste ano resultaram em 135 infrações, a maioria, por falta de licença sanitária, documento que comprova que o estabelecimento passou pelo crivo da Vigilância. Em segundo no ranking estão multas irregularidades no comércio de alimentos, como a conservação em temperatura inadequada e a falta de procedência do produto.

 

Técnicos também coletaram 65 amostras de produtos (como saladas e caipirinhas) para análise, cinco delas de uma bebida que pode ter causado intoxicação em foliões de um bloco que desfilou domingo passado, 23, na Zona Sul. Do total das análises feitas no Laboratório Municipal de Saúde Pública, 20% apresentaram laudos insatisfatórios (mais de 10% em relação a 2019 e menos quase 20% que 2018), com os técnicos retornando neste sábado aos estabelecimentos onde identificaram problemas para novas orientações e exigências.

 

Do total das 135 multas, 72 foram em blocos, 65 delas por falta da licença, 46 aplicadas em ambulâncias e 19 em veículos de alimentos. Outras três foram por falta de documento obrigatório dos veículos, três por equipe incompleta e uma por ausência de posto médico. Na Sapucaí foram 63 infrações contra as 71 registradas ano passado, uma redução de 12%. Os números são resultado da estratégia adotada já em 2019: a ampliação expressiva das inspeções prévias, este ano iniciadas 44 dias antes do carnaval.

 

– Com a experiência do quarto carnaval da nossa gestão, não temos dúvidas que as prévias são fundamentais para a redução de irregularidades. Por isso, este ano ampliamos ainda mais as inspeções antes do evento em si, saltando das 848 prévias em 2019 para 1.554 este ano, um aumento de quase 60%. Ampliamos também em mais de 50% a fiscalização em blocos e em 33% (de mil para 1.335) o número de capacitação profissional para a atuação em pontos oficiais de folia. Tudo para prevenir os riscos à saúde da população, nossa principal missão – destaca a médica-veterinária Márcia Rolim, subsecretária de Vigilância Sanitária do Rio desde janeiro de 2017.

 

Números das inspeções e multas na Sapucaí e blocos

A importância das prévias destacada pela subsecretária Márcia Rolim pode ser conferida nos tipos de infrações aplicadas nos seis dias de ação fiscalização no Sambódromo e em blocos. Nos últimos dois carnavais, a maioria das irregularidades foi por problemas em alimentos, como conservação fora da temperatura adequada e falta de procedência. Já este ano, das 135 multas na área do Sambódromo e em blocos, 96 (70%, sendo 30 na Sapucaí e 66 em blocos) foram justo por falta de licença sanitária. O ranking na Sapucaí seguiu com 11 infrações por falta de higiene e de acessórios de higienização (lavatório e dispensadores de sabão líquido), dez por produtos sem procedência, três por falta de comprovante de curso de capacitação em manipulação de alimentos, três por produtos conservados em temperatura inadequada, três produtos com validade vencida, uma por descumprimento de intimação, uma por ausência de sistema de exaustão e uma por uso de produto fumígeno (narguilé) em ambiente fechado.

 

Nas fiscalizações na Sapucaí, técnicos encontraram em lanchonetes, barbearias e camarotes muitos dos que passaram pela capacitação, exigindo de todos eles a carteira de manipulador emitida pela Vigilância. Nas bancadas, quase tudo estava de acordo com as regras sanitárias ensinadas a 33 turmas. “Esse é justamente o trabalho da Vigilância: tornar visível o que é invisível aos olhos do consumidor”, reforça Márcia Rolim.

 

Vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, a Vigilância trabalha com o foco na prevenção de riscos à saúde. Nas ações, o órgão atua conferindo os procedimentos com técnicos qualificados para, diante de irregularidades, orientar sobre as medidas que devem ser adotadas em adequação às normas definidas pela legislação sanitária.

 

– Nossa missão é atuar prevenindo, antes de acontecer, com médicos-veterinários, enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais preparados para agir rápido. Em especial, em eventos de grande massa, como o carnaval, onde os produtos são consumidos rapidamente por muitas pessoas. Se a gente esperar o sushi estragar para agir, imaginem o número de pessoas que terão danos à saúde? Em pouco tempo teríamos um surto de 200, 300 pessoas – diz o médico-veterinário Flávio Graça, superintendente de Educação da Vigilância.

 

Ações na Sapucaí nos três últimos carnavais
Inspeções = 347 em 2020 // 378 em 2019 // 501 em 2018
Infrações = 63 em 2020 // 59 em 2019 // 73 em 2018
Licenças emitidas = 347 em 2020 // 342 em 2019 // em 2018 a Vigilância não licenciava
Capacitação = 1.335 em 2020 // 891 em 2019 // 719 em 2018
Alimentos descartados = 28 quilos em 2020 // 55 quilos em 2019 // 138 quilos em 2018
Coleta de alimentos = 65 em 2020 // 61 em 2019 // 80 em 2018

 

Resultados das prévias – Nos 44 dias da primeira fase de prévias e muita orientação da Operação Carnaval da Vigilância, técnicos fiscalizaram bares, hotéis, restaurantes, estúdios de tatuagem, salões de beleza, consultórios médicos e veterinários, pets e ainda fábricas e distribuidoras de gelo, produto muito consumido nesta época do ano. No período, foram 1.554 vistorias com 585 infrações, a maioria, por falta de higiene e ausência de licença sanitária. Essas inspeções resultaram em 448 intimações com exigências de adequações (em especial, estruturais e de higiene) a serem cumpridas, e ainda em 49 interdições, 14 delas totais. Também foram feitas 116 coletas de alimentos para análise, com os técnicos retornando aos pontos que deram laudos insatisfatórios para orientar e exigir as adequações.

 

Ainda nas prévias, as equipes reforçaram as ações educativas com mais de 5 mil interações no comércio e a população em geral, com a distribuição de folhetos e também a afixação de adesivos em paredes de estabelecimentos como padarias, bares e outros. O órgão emitiu também 519 licenças sanitárias para empresas e demais prestadores de serviços nos pontos de folia, e fez 1.335 capacitações em 33 atividades (cursos e palestras) de práticas de higiene nas áreas de alimentos, saúde e beleza. São garçons, chefs, manicures, cabeleireiros, massagistas, tatuadores, piercers e outros profissionais que têm o trabalho conferido, com a exigência da carteira oficial da qualificação promovida pela Vigilância. Os fiscais inspecionaram ainda 21 blocos em oito dias antes do carnaval, resultando em 11 infrações.

 

Comparativo das prévias nos carnavais 2019 e 2020

Inspeções = 1.554 em 2020 // 848 em 2019

Infrações = 585 (a maioria por falta de higiene e ausência de licença sanitária) // 157 em 2019 (a maioria por irregularidades em alimentos)

Interdições = 49 (14 delas totais) em 2020 // 9 em 2019 (5 delas totais)
Intimações = 448 em 2020 (exigências de adequações estruturais no armazenamento de alimentos e higiene em geral) // 232 em 2019
Descarte de alimentos impróprios ao consumo = 132 em 2020 // 850 em 2019

Análises = 116 coletas de amostras de água e alimentos em 2020 // 32 em 2019

Licenças sanitárias = 866 emitidas em 2020 // 340 em 2019

Ações educativas = Mais de 5 mil ações em 2020 (entre interações com o comércio e a população e a distribuição de folhetos e afixação de adesivos em estabelecimentos) // 2.840 em 2019

Blocos = 21 blocos em 2020 // 8 em 2019