Programa municipal ajuda em um ano mais de 1,2 mil desempregados a voltar a trabalhar

Publicado em 19/02/2020 - 07:30 | Atualizado
Danielle Lopes ficou desempregada por três anos e se recolocou no mercado com ajuda do CMTE. Foto: Marco Antonio Rezende / Prefeitura do RioDanielle Lopes se recolocou no mercado com ajuda do CMTE. Foto: Marco Antonio Rezende / Prefeitura do Rio

Quando recebeu a mensagem para comparecer a uma entrevista de emprego, Danielle Lopes ainda não tinha noção de que estava encerrando um ciclo. Aos 47 anos, os últimos três desempregada, ela teve, na véspera, a iniciativa de procurar ajuda no Centro Municipal de Trabalho e Emprego (CMTE) da Ilha do Governador. A idade e o longo tempo fora do mercado pesavam, pensava. Mas acreditou assim mesmo, e seguiu a dica dos amigos. Foi ali, num dos espaços mantidos pela Prefeitura do Rio de Janeiro para intermediar encontros entre pessoas em busca de uma chance e empresas dispostas a contratar mão de obra, que Danielle deu fim à angústia da espera.

– Ficar desempregada tanto tempo, e com 47 anos, foi desesperador. Foi quando me falaram do Sine (Sistema Nacional de Emprego, ao qual está ligado o CMTE). Fui lá, deixei meus dados e documentos. Fui muito bem recebida – conta.

Danielle continua o relato:

– O atendente falou: “Vem para cá todos os dias, que vamos procurar alguma coisa”. Fui no dia seguinte, e ele já tinha a proposta para mim. Ele me agendou, fui para a entrevista e acabei contratada um dia depois. Foi uma sensação de alívio, como a abertura das águas, que me fez passar de um tempo péssimo para uma oportunidade de muita esperança – relembra a assistente de planejamento e manutenção de uma empresa francesa responsável pela climatização do Aeroporto Internacional Tom Jobim.

Em 2019, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação (SMDEI) encaminhou milhares de candidatos para entrevistas de emprego. Ao longo do ano, 1.275 pessoas voltaram a trabalhar, graças ao serviço oferecido nos CMTE. A maioria (28,5%) dos felizardos e felizardas tem entre 30 e 39 anos, e a escolaridade predominante é de ensino médio completo (66%). Essas pessoas nem sempre têm experiências anteriores na ocupação que procuram. Mesmo assim, com frequência, empregadores se dispõem a abrir mão dessa exigência, num gesto que gera oportunidade de recomeço a muita gente.

 

Vagas também para pessoas com deficiência

 

Rafael Lopes está entre os 22% de pessoas com deficiência que conseguiram emprego via CMTE em 2019. Foto: Hermes de Paula / Prefeitura do Rio
Rafael está entre os 22% de pessoas com deficiência a ter de novo emprego via CMTE em 2019. Foto: Hermes de Paula / Prefeitura do Rio

 

Rafael Lopes da Silva, 37 anos, é um dos casos de pessoa com deficiência (PCD) inseridas no mercado de trabalho via CMTE (22% dos aprovados nos processos seletivos, no ano passado). Hoje ele atua como apoio comercial numa das maiores editoras de livro do país. A vaga surgiu ao participar da ação chamada “Dia D da Inclusão Profissional de Pessoas com Deficiência e Reabilitados do INSS no Mercado de Trabalho”. Ele estava há oito meses sem ocupação.

– Já tinha sido auxiliar de produção e gerente comercial de banco, e admito que desanimei algumas vezes – relembra Rafael, que, novamente empregado, agora fala com entusiasmo dos planos para o futuro: – Estou terminando minha faculdade, fazendo cursos de especialização em várias áreas e me preparando para prestar concurso público.

 

Candidato a vaga de emprego faz cadastro num dos CMTE. Foto: Marcelo Piu / Prefeitura do Rio

 

“Não desista, tem uma hora que acontece!”

 

A estatística mais recente do IBGE, divulgada em dezembro de 2019, aponta para 11% de desempregados entre a população economicamente ativa no país. Um drama que só quem já experimentou sabe o que significa. Artur da Silva, 26 anos, ficou um ano nessa situação. Fez cursos de elétrica e informática, deixou currículo em postos de gasolina, mercados, mercearias e “vários cantos”. Procurava, mas não achava emprego fixo. Fez “bico” num lava-jato, por cinco meses. Até que foi a um dos CMTE. Três semanas depois, participou de quatro entrevistas. Hoje trabalha de auxiliar de serviços gerais no aeroporto Tom Jobim.

– Para quem está procurando emprego, tenho a dizer o seguinte: não desista! Continue procurando. Emprego está difícil, mas tem uma hora que acontece. E você vai ficar como eu, de boa, na gratidão, trabalhando feliz. Devagarzinho, vou construindo meu objetivo – diz Artur, casado e pai de duas crianças.

Trajetórias como as de Danielle, Rafael e Artur mostram como vidas são transformadas pela ação da Prefeitura nos CMTE.

– Disponibilizar vagas de emprego é muito mais do que dar oportunidade. É contribuir para o desenvolvimento humano, a formação da cidadania e a promoção de igualdades. Sabemos que ainda estamos longe do necessário, mas nosso trabalho é contínuo na busca por novas chances de colocação para jovens, adultos, idosos, homens, mulheres e pessoas com deficiência – comenta o secretário municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação, Renato Moura.

Onde buscar ajuda

Os documentos necessários são: identidade, CPF, carteira de trabalho e PIS. É preciso também fornecer endereço com CEP. Confira onde ficam os oito CMTE:

  • Centro – Ciad (Avenida Presidente Vargas, 1997 – atendimentos exclusivos a PCD, pessoas com deficiência);
  • Ilha do Governador (Estrada do Dendê, 2080);
  • Campo Grande (Rua Barcelos Domingos, nº 162);
  • Santa Cruz (Rua Lopes de Moura, nº 58);
  • Méier (Rua 24 de Maio, 931);
  • Providência (Rua da América, 81);
  • Tijuca (Rua Camaragibe, 25);
  • Jacarepaguá (Quality Shopping – Avenida Geremário Dantas, 1.400, salas 101 e 102).