Sonho é para se realizar

Publicado em 04/11/2019 - 20:06 | Atualizado em 05/11/2019 - 14:53

Lucas Rodrigues cresceu em abrigos da Prefeitura do Rio e hoje é protagonista de uma nova história.

Dados do Conselho Nacional de Justiça afirmam que cerca de 50 mil crianças vivem em abrigos no Brasil.A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) realiza um trabalho de grande relevância com os menores na cidade do Rio de Janeiro.

Lucas sorri em frente ao Centro Administrativo São Sebastião (CASS)

Quando uma criança ou adolescente se depara em situação de vulnerabilidade social  a situação não se torna nada fácil. Porém, a SMASDH contribui para que inúmeras histórias possam ter um final feliz, trabalhando com garantia de direitos.

É o caso do jovem Lucas Rodrigues, de 23 anos. Quando tinha cinco anos de idade, Lucas se encontrou em uma fase delicada, seus pais perderam o pátrio poder e o menino precisou ser acolhido em um abrigo da Assistência Social.

O tempo foi passando e ele se adaptando à sua nova realidade. Cresceu gostando de jogar futebol, vôlei e brincar de pique-esconde, em meio a assistentes, educadores e demais profissionais que se tornaram referência de família.

Ele conta que também participou do programa Família Acolhedora, que consiste em cadastrar e capacitar famílias da comunidade para receber em suas casas, por um período determinado, crianças, adolescentes ou grupos de irmãos em situação de risco pessoal e social, dando-lhes acolhida, amparo, aceitação, amor e a possibilidade de convivência familiar.

A mudança começa com o primeiro emprego

No dia a dia, a equipe da Secretaria trabalhou a autonomia de Lucas, ele teve acesso à saúde, educação e conquistou uma oportunidade de emprego. A primeira delas foi em 2014, na Central Carioca de Recepção, no Centro da cidade.

Ele lembra com bastante carinho desse período. “A então diretora da Central Carioca, Jurema Célia me ofereceu uma vaga, trabalhando ali eu pude ver o “outro lado da moeda” lidando no cotidiano com os adolescentes e pensei: Meu Deus, como nós damos trabalho! Mas, gostei muito de trabalhar lá“— conta em meio a risos.

Foi quando Lucas aprendeu a lidar com entrega e recebimento de documentos e viu um novo horizonte se abrir. Após a Central Carioca, ele seguiu para outros rumos em algumas unidades da SMASDH, sempre buscando seu crescimento.

O sonho da casa própria é realizado

A rotina de Lucas é bastante intensa, o menino de sorriso largo e muita vontade de vencer acorda bem cedo. Por volta das 5h30, ele toma banho e se arruma para mais um dia. A sua casa fica em Curicica, Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, onde mora em seu apartamento próprio adquirido por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida.Para chegar até o Centro de Referência e Assistência Social (CREAS) Yara Amaral, em Guadalupe, na Zona Norte, onde trabalha como auxiliar de serviços gerais é necessário pegar três ônibus.

Condomínio no qual Lucas possui um apartamento

Assim que chega ao CREAS, ele toma café da manhã, reencontra amigos que considera como familiares e inicia os serviços. Quando são 16h encerra suas atividades e segue para o colégio onde cursa o segundo ano do ensino médio.

A escola faz parte de um sonho que Lucas espera conquistar em breve. Ele conta que irá concluir esta etapa no ano que vem e depois de formado espera a oportunidade de trabalhar como auxiliar administrativo ou educador social na SMASDH.

Num futuro próximo, ele pretende cursar uma faculdade e por enquanto ainda está decidindo entre Serviço Social, Psicologia ou Comunicação Social.

Bastante animado e grato, Lucas diz que se não tivesse o apoio da Secretaria a sua vida na maior idade teria regredido e não melhorado.

“Provavelmente eu teria precisado de um acolhimento adulto. Eu não tenho medo de trabalho. Corro atrás de meus objetivos e mantenho uma relação de muita amizade e carinho com as pessoas. Agradeço imensamente a todos colaboradores que me deram essa oportunidade de trabalho. A equipe é maravilhosa e sempre me apoiou muito. Se não fosse eles com esse trabalho belíssimo, que realizam com os adolescentes, eu não estaria aqui. Só tenho a agradecer por tudo o que eu tenho hoje. Minhas coordenadoras, a chefe de gabinete, Cristiane Alves, a equipe técnica, ao secretário João Mendes de Jesus e a todo o gabinete que sempre me tratou muito bem. Tudo que eu tenho hoje, acesso à saúde, educação, amigos, uma casa, amor e carinho são por causa da SMASDH, que me ajudou até aqui” — diz.

Lucas Rodrigues com o secretário da SMASDH, João Mendes de Jesus
Lucas Rodrigues com o secretário da SMASDH, João Mendes de Jesus

Quando não está trabalhando, ele gosta de ir para à praia ou tomar banho de piscina em clubes, além de sair com os amigos à noite e viajar para a Região dos Lagos.

Carinho e amizade que duram há muitos anos

A diretora da Unidade de Reinserção Social (URS) Maria Teresa Vieira, em Jacarepaguá, Telma Pilé, já teve Lucas como funcionário e conhece o jovem desde adolescente. Aliás, é difícil alguém da Assistência Social não conhecer Lucas e muitos tem histórias cheias de afeto para contar.

“Ele chegou aqui ainda tímido, mas conversamos e fomos desenvolvendo, amizade e carinho. Procurei sempre o orientar e incentivar. Logo na primeira conversa, ele revelou seu medo de não se adaptar, não gostar, não dar conta… Eram muitos medos. Fomos trabalhando, inclusive a equipe técnica, diariamente essa e outras questões, demarcando aquele como seu espaço de trabalho, e não mais de usuário da Rede de Assistência Social, trazendo dignidade e a importância dessa autonomia, ressaltando a seriedade do compromisso, profissionalismo e ética no cotidiano de trabalho. Ao que Lucas entendeu e correspondeu, desenvolvendo suas atividades de forma responsável e com excelência” — explica.

Telma conta também que ele sempre teve disposição para aprender e desejo de evoluir. Segundo ela, os técnicos focaram na importância dos estudos, como ponte para realização de seus sonhos e projetos, organizando horário diferenciado para que não perdesse as aulas e incentivando sua frequência diária.

“Dessa forma, testemunhamos seu progresso e pudemos de forma orgulhosa e muito feliz, participar de sua formatura na primeira etapa. Continuamos incentivando, e já me comprometi a ir à sua nova formatura, agora sim do ensino médio. O que certamente ocorrerá, já que Lucas é hoje um homem determinado e obstinado em seus objetivos”— comemora a diretora.