Autoestima feminina no combate à violência

Publicado em 15/01/2020 - 18:53 | Atualizado
Foto: Wanderson Cruz / Prefeitura do Rio
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A autoestima da mulher é a capacidade de gosta dela mesma, tanto por dentro quanto por fora. Se amar e se valorizar está diretamente ligado ao fato de não deixar que situações de desrespeitos e violências façam parte da sua vida.Na psicanálise, Sigmund Freud descreve que a autoestima expressa o tamanho do ego. Tudo o que o sujeito possui ou realiza o ajuda a aumentar sua autoestima.

A psicóloga da Casa da Mulher Carioca Tia Doca, unidade da Subsecretaria de Políticas para a Mulher, da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) do Rio de Janeiro, Presciliana Vital, conta que, desde os tempos ancestrais, a mulher já nasce com uma lista do consciente e inconsciente coletivo, desde a infância até a sua idade adulta.

“A sociedade sempre impôs padrões, desde comportamentos, falas, escolhas, gestos. É importante desmistificarmos isso, uma vez que o número de violência doméstica e transtornos psicológicos são alarmantes. Isso se dá devido uma sociedade patriarcal e adoecida, que leva insegurança para as mulheres. A baixa autoestima é um dos grandes fatores de vulnerabilidade para a mulher viver relacionamentos abusivos, pois uma vez que ela é ensinada a ser e viver para o outro, fica impossível se conhecer e se amar verdadeiramente”— explica.

Segundo Presciliana, primeiramente é necessário que se tenha um caso de amor consigo mesma, viver seus desejos, colocar-se em primeiro lugar, para então incluir outra pessoa em sua vida. Mas, quando a autoestima está baixa, não há forças para dizer não para as atitudes alheias e assim vive-se qualquer tipo de violência, como a psicológica, física, moral, patrimonial e sexual.

Para a psicóloga, essa realidade diminui o senso crítico feminino, que fica abalado, seu emocional impossível de ter discernimento e então seu corpo também adoece com as sobrecargas.

Presciliana explica ainda que a autoestima, por sua vez, lhe dá o poder sobre si mesma. “Isso tira o véu de ilusão que a sociedade com “pseudo regras” criou de como a mulher deve se comportar e se calar. Com a autoestima, ela sabe que quanto mais falar, agir, impor seu valor, mais valor e respeito irá alcançar. Muitas mulheres, após viver anos de violência psicológica com seus maridos, começam a acreditar nas falas agressivas que ouviam deles, como: “Você não é especial”; “Você não é bonita; “Sou o único homem que quer estar com você”; “Você não conseguirá se formar”.

Essas falas são como programações em suas mentes para que sua autoestima diminua e elas se tornem tristes, cada vez mais distantes de seus familiares e amigos. Por isso, a importância da autoestima, do autoconhecimento e de seus limites, para que no primeiro ato ou fala abusiva essa mulher reaja e saiba que é autossuficiente e também possa ajudar outras mulheres próximas a ela” — esclarece a psicóloga.

Presciliana explica ainda que a autoestima elevada é o pilar de grandes realizações e de uma história de amor inabalável consigo mesma. De acordo com ela, quando uma mulher está com a sua autoestima baixa, também está em vulnerabilidade e risco de perder-se em si mesma, pois fica propensa a acreditar em tudo que lhe dizem, em viver histórias que o outro quer para ela e não o que ela almeja pra si mesma. “É necessário que essa mulher seja autora de sua própria história, só que para isso é importante a ajuda de um profissional. Um psicólogo poderá lhe fazer pensar sobre quais pontos que a levaram até ali. Vivências, falas, programações, pessoas e situações que diminuíram sua autoestima e assim reprogramar em seu cérebro e trazer a consciência do poder pessoal que ela possui.

Como ter autoestima? Como programar a mente e células de cada corpo com a frase mágica “amor próprio”? Segundo Presciliana, a resposta é simples:
1) Um pouquinho a cada dia. As dicas são: Olhe para si mesma e perceba uma parte do seu corpo que mais goste e exalte-a, depois pense em suas qualidades;
2) Repita todos os dias que você é mulher, é humana, é digna do amor próprio;
3) Reprograme em seu cérebro apenas palavras de amor, acolhimento e respeito por si mesma. Sua autoestima cresce a cada dia quando você consegue fechar portas e ciclos que já eram para ter sido fechados, como relacionamentos que lhe façam duvidar de seu amor próprio e autoestima.

“Construir novos olhares sobre si mesma e sobre o mundo pede adaptação e revisão, mas com certeza trará um relacionamento longo de amor consigo mesma” – conta a psicóloga.

Sem Amor Próprio é impossível ter um relacionamento feliz

Para a escritora do livro Desafio do Amor Próprio e coach de relacionamentos, Michele Pin, a baixa autoestima está totalmente associada à violência doméstica e sem amor próprio é impossível viver um relacionamento feliz.

Foto: Wanderson Cruz / Prefeitura do Rio

“Quando a autoestima dessa mulher está em baixa, ela vira uma “isca” fácil para relacionamentos abusivos”. O primeiro passo é ela acreditar nela mesma e investir tudo para a sua recuperação. Se equilibrar e se cuidar, porque somente com seu amor próprio em dia e fortalecido ela conseguirá quebrar o ciclo da violência e recomeçar sua vida de forma saudável e merecedora. Como cito no meu livro, Desafio do Amor Próprio, “Quem não tem amor-próprio, não tem amor pra dar”! “— explica”.

Acompanhe na próxima semana uma matéria sobre a importância da arte na elevação da autoestima.